Esquizoanálise

Esquizoanálise - Ilustração por Andrew Salgado

A esquizoanálise não tem como intuito instituir algo, pode se compor de inúmeros dispositivos que estimulam a experimentação para transformar pessoas e relações, no sentido de se movimentar e se reinventar. Explora novas conexões e modos de ser, fomentando práticas inovadoras e alternativas, com respeito as singularidades.

Somos seres inacabados e em permanente transformação, passamos por situações que bloqueiam nossos movimentos e geram sensação de incômodo, para cada uma dessas situações, existem muitas saídas. A doença não está somente nas figuras edipianas da psicanálise, mas no mundo inteiro, no capitalismo, na história, nos povos, etc.

A perspectiva esquizoanalítica envolve um processo de análise dos modos de constituir as subjetividades de sujeitos e grupos nas suas relações com instituições e com o mundo, buscando ampliar as explorações sociais e afetivas, questionando as próprias ações, desconstruindo modelos de representação e ativando a potência revolucionária do desejo.

Por meio da leitura cartográfica é esboçada a análise, não com intuito de interpretar, mas buscando as conexões de cada pessoa com os objetos, os espaços, outras pessoas e consigo mesma. Esse mapeamento possibilita uma reflexão e entendimento sobre como cada sujeito afeta ou é afetado pelas relações que estabelece, como essas relações geram um sentido para si e por onde transita o desejo.

Na prática, essa análise pode partir da escuta de um sujeito, das coisas que faz e gosta de fazer, de suas queixas, de suas potências, de seus sintomas, dos espaços que transita, das pessoas que para si são significativas. Esse procedimento não é estático, pois todo sujeito está sempre produzindo novas ações e novos problemas, por conta de novas experimentações, criando novas conexões e oportunidades.

A experimentação se faz no encontro do sujeito para criar, inventar e potencializar novos caminhos, indo no sentido do que faz seu corpo expandir, não contrair. É por meio da análise das multiplicidades que compõem um sujeito que se pretende auxiliar este a criar novas possibilidades. A doença é concebida como um aprisionamento ou parada de processos, que nos impede de criar novos modos de ser e de se fazer.

Para esta abordagem, o sujeito está além de diagnósticos ou classificações, pois estes podem o impedir de usufruir suas potências por cristalizarem identidades pouco maleáveis. Possibilita olhares e ações mais para a experimentação do que para a interpretação. A esquizoanálise fornece ferramentas que podem ser utilizadas por profissionais da saúde, pedagogos, teóricos em geral e psicólogos de diversas áreas, numa concepção que estimula as relações para a construção de novos processos de vir a ser.

"Não há programas de vida, cada um se constrói e surge na prática,
as coisas vão se fazer, fazendo." (Deleuze)

Texto por Bruno Carrasco, psicoterapeuta que valoriza de cada pessoa em seu modo de ser singular, colaborando para lidar com suas dificuldades e ampliar suas possibilidades de ser.
Esquizoanálise Esquizoanálise Revisado by Trilhando Autonomia em 22:12:00 Avaliação: 5
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