Educação libertária

Pedagogia libertária

A educação libertária se forma com pessoas que sentem, pensam, vivem e raciocinam, desejando para si e para os demais a liberdade, a igualdade e a justiça social. É uma pedagogia a serviço da humanidade.

Como pessoa, qualquer um tem o direito de ser tratado com respeito em suas diferenças, em sua identidade, em suas metas, em seus sentimentos, em seus acertos e em seus erros, o direito para podermos nos expressar e viver com liberdade; o direito que possuímos para nos desenvolver sem repressão, sem preconceitos, com amplitude de pensamento e de vida.

O poder se encontra dentro do ser humano: na distribuição que se faz da informação, dos conhecimentos, da economia. A liberdade dentro da educação deve ser um suporte que ajude a unir os meios e os fins. O meio deve ser livre e o fim também.

A educação libertária está composta de matizes sensíveis que conformam atitudes diferentes de respeito e de solidariedade ante as pessoas que decidem iniciar conosco sua formação. E são as atitudes que avaliam o sentimento e pensamento libertários. As teorias ficam nas prateleiras para serem consultadas e estudadas, mas no processo vivencial da aula são criadas novas formas de relação que partem de cada individualidade e que são o motor de novas relações grupais.

Evidentemente há umas linhas bases que fazem com que o caminho se assinale de forma diferente de como é assinalado na educação tradicional. Estas bases partem do respeito, do desenvolvimento do sentimento de solidariedade e cooperação, do desenvolvimento da auto-aprendizagem, do desenvolvimento da capacidade de crítica, da auto-reflexão, da igualdade entre as pessoas que conformam os grupos, sejam mulheres ou homens, pertençam a uma classe social mais alta ou mais baixa, tenham capacidades intelectuais inferiores ou superiores.

Igualdade é igualdade e deve ser baseada no conhecimento das diferenças, para que se possam superar a cada passo as desigualdades estabelecidas que são motivo de opressão para essas pessoas, grupos ou coletivos. É necessário fomentar o diálogo e a discussão, de forma que a assembléia seja um fórum de debate, não uma plataforma para potenciar lideranças.

Isso se vai conseguindo pouco a pouco, sem pressa, criando-se um clima que suporte felicidade e tranquilidade, através do qual cada pessoa se sinta aceita pelo educador e pelo grupo de companheiros, com os limites curriculares determinando o próprio processo de auto-aprendizagem, e não as normas estabelecidas, sendo o mais importante da matéria a ensinar o desejo de conexão com a cultura, o estudo e a investigação com a própria vida da pessoa que chega na aula, esteja no nível que esteja.

Passa pela eliminação dos exames como forma de avaliação. Trata-se também de ajudar a resolver, com a inteligência, as diferentes situações que a própria sociedade marca como obstáculos, oferecendo caminhos alternativos para os conhecimentos que a sociedade oferece como únicos, mas que podem ser objeto de modificações. Formar sujeitos críticos, reflexivos e defensores da liberdade e da justiça social, intelectual e econômica.

A educação libertária deve oferecer, no campo da estrutura social, um modelo diferente, a fim de defender o cooperativismo como fórmula alternativa na organização do trabalho e da economia, bem como se deve dar informação suficiente sobre os modelos imperantes, para que, também com a inteligência, se resolvam as distintas opções que a sociedade vai oferecer e que são, na maioria dos casos, opostos ao sentimento e pensamento cooperativos.

A educação libertária deve ensinar a explorar o poder que cada pessoa possui mas com uma concepção contrária ao uso e abuso deste poder, estudando seus limites a partir dos parâmetros do respeito e da solidariedade.

A educação libertária deve ter em conta que o conteúdo dos currículos devem ser organizados pelos educadores e não pelas editoras dos livros de textos didáticos. Os conteúdos devem ir mais fundo nos valores que serão transmitidos: os que nos humanizam e nos ajudam a desenvolver-nos como pessoas; devem estar em contato com a vida e o entorno social onde nos movemos, ajudando a resolver, através do ambiente educativo que se prepara e dos livros que constituem as bibliotecas de aulas, os problemas que temos.

Os textos, os debates, as discussões, devem tender a dar explicações coerentes e baseadas na ciência sobre o mundo dos sentimentos, para que as pessoas aprendam a manejar de forma livre sua vida, conhecendo, aprendendo e transgredindo aquelas fórmulas que lhes fazem involuir em suas relações pessoais e sociais.

A educação libertária é uma oferta de liberdade e conhecimentos e uma possibilidade de aprendizagem alternativa; pode conduzir a mudanças sociais, mas pode cair simplesmente na formação individual. Pode conduzir à formação de novas estruturas sociais e econômicas, mas pode ser que também passe despercebida.


Por Encarnación G. Montero.
Do livro "Pedagogia Libertária".
Educação libertária Educação libertária Revisado by Trilhando Autonomia em 16:08:00 Avaliação: 5
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