Como existir e coexistir?


Como existir e coexistir? Como conviver com o outro, permitindo que ele seja como é, sem que eu deixe de ser como sou ou como eu quiser me tornar?

Ser quem somos é perceber o que sentimos e valorizar nossas singularidades, é ir em busca de nossos reais desejos e necessidades, seguindo nosso caminho e respeitando nossas condições.

Conviver com outra pessoa implica em respeitar o outro como ele é, e propor que ele nos respeite. Essa é uma condição para que possamos nos sentir bem na relação e para que o outro se sinta bem.

Para que uma relação seja saudável, é importante comunicar ao outro nossos sentimentos na relação, o que nos faz sentir alegres e o que nos faz sentir desrespeitados ou ofendidos, para que este tenha claro como sua maneira de ser nos afeta na relação. O respeito que propomos ao outro depende de como nos sentimos na relação, do que nos faz sentir respeitados ou o que nos faz sentir desrespeitados.

Estamos acostumados culturalmente a estabelecer relações de autoridade ou de submissão entre as pessoas. Se tentamos obrigar o outro a ser o que queremos ou nos submetemos ao outro como ele quer que sejamos, sem diálogo, nos impossibilitamos de ser quem somos ou impossibilitamos ao outro de ser quem ele é, criando prisões existenciais. Se as pessoas não se disporem a comunicar o que sentem e se abrir para compreender o outro, dificilmente será possível conviver com respeito.

Em alguns casos escolhemos as pessoas com as quais nos relacionamos, em outros somos escolhidos, mas sempre podemos propor novas maneiras de nos relacionar. A maneira como nos relacionamos com outra pessoa depende da maneira como a pessoa é, de como nós somos, e também de como reagimos ao modo como o outro se mostra na relação.

O relacionamento entre duas pessoas é uma relação entre duas singularidades, onde as duas escolhem, fazem e refazem seus modos de ser. Se não estamos satisfeitos com a relação, podemos mudar o modo como a relação está e propor novos caminhos, seja numa relação de amizade, amorosa, familiar ou de trabalho.

Para respeitar o outro, precisamos entender como ele se sente respeitado na relação, para isso é preciso compreender o modo como ele é e como se apresenta na relação. Uma relação respeitosa se propõe ao exercício de considerar os dois. Para que isso aconteça é coerente possibilitar o respeito ao outro, se colocando aberto para escutar o outro.

Dialogar na relação é algo permanente. Isso não significa que o relacionamento será harmonioso, que as pessoas vão nos compreender ou que vamos compreender elas. Algumas pessoas vão se sentir respeitadas, outras não, por vezes nos sentiremos respeitados e em outras não, e o que faremos com isso vai depender de como lidamos com as diferenças.

Nós vivemos num constante conflito entre os nossos modos de ser e os modos de ser dos outros, somos seres diferentes que vivemos, pensamos e sentimos de maneiras diferentes, e justamente por isso cada pessoa tem seu valor singular.

Cada pessoa tem seu valor justamente por ser como é, e não como não é. Quando admitimos nossa originalidade de ser, nos mostramos diferente de outra pessoa. O direito do outro de ser quem ele é não pode impedir o nosso direito ser quem somos, e vice-versa.


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta que atua em favor da valorização de cada pessoa em sua singularidade, lidando com suas dificuldades e ampliando suas possibilidades de ser.

Como existir e coexistir? Como existir e coexistir? Revisado by Trilhando Autonomia em 21:03:00 Avaliação: 5
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