Grau de potência singular

Estudo de Cores: Quadrados com círculos concêntricos por Wassily Kandinsky (1913)

Cada indivíduo poderia ser definido por um grau de potência singular e, por conseguinte, por um certo poder de afetar e de ser afetado. Somos um grau de potência, definido por nosso poder de afetar e de ser afetado, e não sabemos o quanto podemos afetar e ser afetados, é sempre uma questão de experimentação.

Vamos aprendendo a selecionar o que convém com o nosso corpo, o que não convém, o que com ele se compõe, o que tende a decompô-lo, o que aumenta sua força de existir, o que a diminui, o que aumenta sua potência de agir, o que a diminui, e, por conseguinte, o que resulta em alegria, ou tristeza. Vamos aprendendo a selecionar nossos encontros, e a compor, é uma grande arte.

A tristeza é toda paixão que implica uma diminuição de nossa potência de agir; a alegria, toda paixão que aumenta nossa potência de agir. Existir é, portanto, variar em nossa potência de agir, entre esses dois pólos, essas subidas e descidas, elevações e quedas.

As paixões são necessárias no encontro dos corpos e nos encontros das ideias; apenas por meio das paixões alegres nós nos aproximamos daquele ponto de conversão em que podemos deixar de apenas padecer, para podermos agir; deixar de ter apenas paixões, para podermos ter ações, para podermos desdobrar nossa potência de agir, nosso poder de afetar, nosso poder de sermos a causa direta das nossas ações, e não de obedecermos sempre a causas externas, padecendo delas, estando sempre à mercê delas.

Ninguém sabe de antemão de que afetos é capaz, não sabemos ainda o que pode um corpo ou uma alma, é uma questão de experimentação, mas também de prudência. Como um ser pode tomar um outro no seu mundo, mas conservando ou respeitando as relações e o mundo próprios? Somente após esvaziar a pregnância dos clichês (clichês da relação, clichês do amor, clichês do povo, clichês da política ou da revolução, clichês daquilo que nos liga ao mundo), isto é, imagens prontas, pré-fabricadas, esquemas reconhecíveis, meros decalques do empírico, somente então pôde o pensamento liberar-se deles para encontrar aquilo que é "real", na sua força de afetação, com conseqüências estéticas e políticas a determinar.


Por Peter Pál Pelbart, filósofo, ensaísta, professor e tradutor húngaro.
Fragmentos do texto "Elementos para uma Cartografia da Grupalidade".
Grau de potência singular Grau de potência singular Revisado by Trilhando Autonomia em 14:22:00 Avaliação: 5
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