O vazio existencial

O vazio existencial

Muitos de nós dedicamos boa parte de nossa vida a uma profissão, buscando adquirir bens materiais ou estabelecer uma família. Porém quando paramos para perceber o que estamos fazendo, sentimos que há algo que nos falta, um vazio.

Vivemos tão focados no externo que vamos perdendo o contato com nós mesmos, seguimos por tantas direções que nos esquecemos de buscar o que nos faz sentido. A sensação do vazio é como um espaço faltoso, um lugar que de alguma forma precisa ser preenchido com algo.

Conforme buscamos a nossa realização em valores externos aos nossos, adiamos o contato com nós mesmos, deixamos de viver o momento presente esperando por um futuro que pode ou não chegar, deixando a realização da nossa existência para depois.

Para encontrarmos caminhos que realmente nos realizam, é imprescindível experimentar situações e possibilidades diferentes, é por meio de nossa experiência que poderemos perceber o que queremos e assim escolher caminhos que nos identificamos.

As frustrações e decepções também fazem parte de nossa caminhada, é passando por situações difíceis que nos desenvolvemos enquanto pessoa. Se não encaramos as nossas reais dificuldades, diminuímos nossa capacidade de lidar com o que vivemos.

Por pensar que não podemos ser como somos em nosso trabalho ou em nossa vida social, vamos deixando para outro momento, mas nem sempre encontrando momentos que nos sentimos autênticos com nós mesmos e com as pessoas com as quais nos relacionamos.

Se somos o que os outros esperam que sejamos, não passamos por nenhuma situação de atrito ou de desconforto, nos sentimos seguros e aceitos fazendo o que já estamos acostumados. Assim evitamos as contradições e o encontro com nós mesmos.

Porém, quando deixamos de ser a pessoa que somos, desrespeitamos nossos desejos e impedimos o desenvolvimento de nossas possibilidades e potencialidades  existenciais, deixamos de lado tudo o que podemos nos tornar.

Se não escolhemos a nossa vida e os nossos caminhos, acabamos seguindo um caminho de outra pessoa, e o preço que pagamos é a nossa própria existência. Deixar de ser o que somos pode nos gerar aflições, desconforto, irritação, ansiedade, tristeza e até depressão.

Cada pessoa é única e singular, porém nem sempre reconhecemos nossas singularidades. Quando nos percebemos como únicos e valorizamos nossas diferenças, nos permitimos ser como somos e ir de encontro com o que realmente nos faz sentido. O nosso caminho é único e pessoal, e deve se parecer com o que sentimos e queremos para nós mesmos.


Texto por Bruno Carrasco, psicoterapeuta que valoriza de cada pessoa em seu modo de ser singular, colaborando para lidar com suas dificuldades e ampliar suas possibilidades de ser.
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